Hoje, estava ouvindo o programa Voz do Brasil, indo para a UFAL, quando surgiu uma notícia que me deixou intrigado: a ANA, Agência Nacional de Águas, irá implantar, a partir de janeiro de 2010, um sistema de cobrança pela utilização da água na bacia do rio São Francisco, com o pressuposto de que o dinheiro arrecadado servirá para a manutenção e preservação da Bacia. Quer dizer que empresas, fazendas e indústrias da região irão pagar mais para produzir seus produtos e repassarão este aumento a nós consumidores, que mais uma vez pagaremos a conta de outra taxação.
O próprio diretor-presidente da ANA, Sr. José Machado, em entrevista ao programa, ameniza a notícia e diz que o consumidor não será afetado diretamente pela nova regra de utilização. Bom, diretamente e indiretamente, senhor José Machado, os únicos que não serão afetados são o governo e os produtores, pois a população como sempre terá que pagar pela alta no preço dos produtos que necessitam do São Francisco. Outro fato a ser abordado é que o governo diz que assim essas empresas diminuirão seu consumo de água, mas, sinceramente, se o valor da utilização será repassado para o consumidor final, empresa nenhuma se preocupará com o seu consumo.
Sem querer ser pessimista, mas arrisco dizer que o preço dos produtos se encarecerá mais que o necessário, pois os reajustes feitos por produtores nunca são justos e compatíveis com os aumentos em seus custos, sempre há uma desculpa para que eles ganhem mais. Além disso, o dinheiro será revertido para a manutenção da bacia do São Francisco? Será mesmo? Temos ótimos exemplos de mau aproveitamento dos recursos financeiros, a transposição do Rio mesmo nos mostra como esses recursos só servem para encher o bolso das empreiteiras e dos políticos responsáveis pelas obras na região.
Não sou a favor da não taxação por utilização e acho absurda a ideia da população brasileira, a verdadeira “dona das águas”, pagar pela utilização de terceiros em seu leito! Por que não obrigar e responsabilizar essas empresas pela manutenção dos leitos, preservação do Rio e incentivar a revitalização das espécies de peixes em extinção? A execução desse incentivo seria fiscalizada, tanto quanto o dinheiro que será arrecadado com a nova taxação, a diferença é que irá atingir diretamente a população, sem burocracia.
Cada vez mais me parece utopia e ingenuidade pensar que ministros e gerenciadores das grandes agências do governo tenham um pouco de bom senso e pensem mais na população ribeirinha, no povo que pagará a conta por tantas cobranças.
